TRAVELLING DE DANEY: 3 estrelas
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LIXO EXTRAORDINÁRIO, Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley

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LIXO EXTRAORDINÁRIO, Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley




Lixo e vida se transformam.

Melhor Documentário na International Documentary Association (IDA), em Los Angeles; Prêmio Especial do Júri, em Paulínia; Melhor Documentário Internacional eleito pelo público e indicado ao Prêmio do Júri no Festival de Sundance, nos Estados Unidos; e considerado o Melhor Filme da Mostra Panorama e vencedor do Prêmio Anistia Internacional no Festival de Berlim além da indicação ao Oscar de melhor documentário. Grande desempenho, não é? Agora se eu digo que é um filme rodado - em grande parte - na baixada fluminense e seus grandes astros são catadores de lixo. Difícil de acreditar, mas é verdade.

Lixo extraordinário é um falso documentário. Não falso no sentido literal, mas pelo fato de seu objetivo não ser apresentar o registro do trabalho de Vik Muniz. O longa vai além e tece uma diálogo a respeito de como podemos mudar nossas vidas. Vik, artista plástico brasileiro, é o vetor da mudança. Os catadores são os alvos. O trabalho artístico serve de analogia. A película também transcorre debates sobre cuidados com o meio ambiente e problemas sociais. Essa é a mensagem que a obra clama. Vik Muniz transforma lixo em arte. Os catadores inspirados, transformam suas vidas. Resta a nós transformarmos nosso mundo.

A trilha sonora, assinada pelo cantor Moby, é outro ponto forte. Ela respeita o momento. Compreende a necessidade e sabe a hora e como se expressar. Um trabalho magnífico.Por isso, é merecida a indicação ao Oscar. Fico, honestamente, na torcida para que leve a estatueta. Mesmo que não aconteça, o filme já cumpriu seu papel.


Lixo Extraordinário

Direção: Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley
Gênero: Documentário
Origem: Brasil e Reino Unido
Duração: 90 minutos
Tipo: Longa-metragem


Classificação do Crítica com Pipoca:



BASTARDOS INGLÓRIOS, Quentin Tarantino

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BASTARDOS INGLÓRIOS, Quentin Tarantino


Deixando sua marca.

Todos sabem que Quentin Tarantino possui traços especiais que identificam suas obras facilmente. Sempre banhado com cenas de violência exagerada - e até cômica -, homenagem direta a seus filmes favoritos e diálogos elaborados. Essa é a fórmula Tarantiana de se filmar. Sua última produção, Bastardos Inglórios, segue essa linha. A única diferença é que ela marca de forma permanente - assim como o personagem de Brad Pitt faz, desenhando com uma faca, a suástica na testa dos futuros "ex-nazistas", para que nunca esqueçam o que foram - o nome de Tarantino na história do cinema.

Todos os personagens e seus conflitos são bem elaborados. Tarantino brinca com as características de cada personagem, relacionando com suas nacionalidades. O inglês educado, gentleman, o americano bruto do interior, o alemão escandaloso, etc. Com uma ótima atuação, Brad Pitt vem se firmando como um bom ator, desmistificando o estereótipo de um rosto bonito. No entanto, ninguém consegue superar Christoph Waltz. Waltz interpreta o coronel nazista Hans Landa. A Obra já valeria, apenas para apreciar essa belíssima atuação.

O filme não passa de uma reconstrução do desfecho da II Guerra Mundial. Tarantino constrói, como de seu gosto, uma história de vingança de uma judia - interpretada pela inexpressiva Mélanie Laurent -, que sobreviveu ao massacre da família, contra o império nazista. O ponto forte é a forma como o diretor brinca com a história real do mundo. É como se contasse na ótica de um judeu, o final perfeito para Hitler e seus comandados. Uma morte dolorosa e sangrenta.

O plano em que três membros dos Bastardos Inglórios - um grupo de americanos que matam nazistas -, disfarçados de oficiais alemães, e Von Hammersmark (Diane Kruger) travam uma luta psicológica contra um alto oficial nazista, tentando manter em segredo a operação para matar Hitler, é fantástica. O clima de tensão transborda em cada palavra do diálogo, o que nos dá a sensação de que a qualquer momento tudo pode acabar em uma troca de balas, no melhor estilo faroeste. Sem dúvida nenhuma, saímos com a sensação de que Bastardos Inglórios apresenta um Tarantino amadurecido e que ainda tem muito a contribuir para a história da sétima arte.


Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds)

Direção: Quentin Tarantino

Classificação do Crítica com Pipoca:

AMOR SEM ESCALAS, Jason Reitman

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AMOR SEM ESCALAS, Jason Reitman



Para me conhecer, você deve voar comigo.

Um casal desavisado pode se surpreender ao assistir "Amor sem Escalas". Isso acontece, pois o filme não é simplesmente uma comédia romântica, como o título recebido no Brasil sugere. Como um aviso sutil para os norte americanos - e não norte americanos também -, o longa disserta sobre a situação econômica dos Estados Unidos e como algo tão simples é fundamental para que as pessoas consigam suportar as perdas: A família. Seguindo essa linha, Reitman consegue prender o espectador com um roteiro agradável, que mesmo não sendo espetacular como o seu "Obrigado por Fumar", é uma boa pedida para quem quer assistir um bom filme.

Ryan Bingham, interpretado pelo ótimo George Clooney, trabalha para uma empresa na função de demitir funcionários de forma educada. Bingham busca um discurso motivacional e segue uma série de regras de conduta para que os empregados demitidos reagem o melhor possível ao impacto da notícia. No entanto, sua função exige viagens aéreas constantes a inúmeros pontos dos EUA, impedindo que ele tenha uma vida "normal". Como o próprio personagem diz: "Para me conhecer, você deve voar comigo". Apesar de não ter contado com a família ou ter um relacionamento sólido, Bingham parece gostar de seu way of life, tendo como objetivo principal, alcançar 10 milhões de milhas aéreas, marca que apenas seis pessoas conseguiram na história até o momento.

As coisas começam a mudar quando Natalie (Anna Kendrick) uma jovem contratada pela empresa, propões que as viagens constantes sejam substituídas por videoconferências. Bingham procura convencê-la da importância da demissão ao vivo, trazendo-a para o seu cotidiano: Viajar e demitir. Além disso, Bingham começa a se envolver com Alex (Vera Farmiga), uma mulher com estilo de vida semelhante a dele. É a partir desse gancho que Reitman começa a construir todo o conflito do personagem principal. Bingham começa a questionar a idéia de ser um "lobo solitário" e passa a considerar a hipótese de ficar mais em casa e ter um relacionamento real com Alex.

O filme começa a ser conduzido pelas cenas de demissão. É a partir desse momento que Reitman disseca uma potência mundial fragilizada. Observa-se a grave situação nos planos em que Bingham e Natalie chegam a uma empresa em Kansas e encontram um escritório entregue as moscas, e na empresa de Detroit, onde havia uma lista gigantesca com nomes de funcionários a serem demitidos. Além desse aspecto, o diretor consegue fazer uma ponte reflexiva com a situação das pessoas que perderam seu emprego. Todas elas recebem a notícia de Bingham, que é contratado para estabilizar emocionalmente os empregados. Entretando, não é graças ao talento do personagem que elas conseguem sobreviver ao choque da demissão. Reitman deixa bem claro que elas possuem algo que Bingham não possui: Uma família. É apenas isso que os mantem de pé. E é exatamente essa tirada o ponto forte do filme.

Reitman não decepciona com um final clichê. Por mais que chegamos a acreditar que Bingham mudará sua vida, começando a ter uma relação real com uma companheira e sua família, algo inesperado acontece. Assim, ele evidencia o quanto é difícil para Bingham conseguir agora sua redenção, a partir do momento que o mesmo negligenciou durante toda a sua vida qualquer ligação afetiva. Para ele só resta o objetivo das 10 milhões de milhas aéreas conquistadas e sua vida dentro de uma avião. Para nós, resta um delicioso e indispensável filme.


Eduardo Albuquerque, 30 de janeiro de 2009.

Amor sem Escalas (Up in the Air)
Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Melanie Lynskey, Anna Kendrick, Danny McBride
Direção: Jason Reitman
Gênero: Comédia
Duração: 104 min.
Distribuidora: Paramount Picture

Classificação do Crítica com Pipoca:

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